O adeus à Reinaldo, o príncipe do Pagode

O adeus à Reinaldo, o príncipe  do Pagode

      Nesta segunda feira pela manhã recebemos a triste noticia do falecimento do cantor Reinaldo Gonçalves Zacarias, um grande representante do samba deste páis. Nascido no bairro de Cavalcanti no Rio de Janeiro, Reinaldo era frequentador da Em Cima da Hora, escola de samba do bairro, famosa por imortalizar o samba-enredo Os Sertões. Criou o grupo "OSamba Nosso de Cada Dia", para alegrar festas e eventos até que começou a acompanhar gente de peso no Samba, como Dona Ivone Lara, João Nogueira e Roberto Ribeiro. Paralelo à música, Reinaldo era bancárido do Citibank. Até que em 1982 abandona o emprego, e se muda para São Paulo, onde se tornaria um dos precursores do pagode na cidade, fenômeno já consagrado no Rio de Janeiro. Na capital paulista, não só foi bem sucedido, como gravou seu primeiro disco Lp, "retrato Cantado de um Amor" (1986) e se tornou conhecido no Brasil inteiro. O apelido O Príncipe do Pagode, que marcaria eternamente na carreira veio por acaso. Em 1987, um locutor de uma rádio FM do Rio de Janeiro costumava apelidar artistas anunciados por ele. Um dia, ao anunciar Reinaldo, que despontava no cenário musical, o locutor diz : "Reinaldo, O Principe do Pagode". Em 1987 gravou a música "Aquela Imagem" com a participação especial da cantora Ana Clara. Anos mais tarde no album dela gravaram "Quer Brincar de Amor". Como compositor, seu primeiro sucesso foi "Me Perdoa", interpretado por Leci Brandão. Em 2011 foi homenageado pelo Jornal Cultural com o Troféu de "Melhor Show de 2010" realizado na casa Parada da Lapa, no Rio de Janero. Este é o resumo da vida de um dos maiores sambistas desta época. Carismatico e com muita simplicidade, por onde  pasou fez amigos. Tive o prazer de conviver com ele em Porto Alegre, no ínicio de sua carreira quando veio fazer o lançamento do seu primeiro LP Retrato Cantado de Um Amor. Fiquei seu fã. Me deu o prazer de visitar o morro da Maria da Conceição em sua segunda visita a Porto Alegre, caminhou por becos e vielas como se estivesse no quintal de sua casa. Realmente um grande cantor e um ser humano melhor ainda. Lutou bravamente contra um cancer de pulmão por quatro anos, entre um tratamento e outro sempre esteve presente em seus compromissos. Descanse em paz ilustre amigo. O sambista não precisa ser membro da acadêmia, é natural em sua poesia o samba lhe faz imortal. Adeus e até um dia.