Artistas de Viamão se mobilizam para colaborar com tratamento de escultor

Morador de Viamão desde 2002, o escultor e filósofo Newton Vaz Coelho é considerado um dos expoentes das artes visuais no município

Artistas de Viamão se mobilizam para colaborar com tratamento de escultor

Reportagem: Norton Rocha | Fotografia: Nany Lopes

Um grupo formado por dezenas de artistas promoveu neste domingo (1º de maio) um almoço beneficente para angariar recursos e garantir o tratamento de saúde do escultor e filósofo Newton Vaz Coelho. Organizado em parceria com diversos coletivos culturais da cidade, o evento contou com a presença de aproximadamente 150 pessoas.

Uma combinação instigante entre o carisma e a eloquência de um líder político e o espírito contestador de um ativista social, faz de Newton um personagem símbolo da resistência cultural de Viamão. Não obstante, cativa a mobilização de artistas dos mais diversos cantos e segmentos do município em favor de uma nobre causa. “Estamos falando não apenas de um grande artista, mas de um grande ser humano. Definimos realizar algumas ações em prol dele e este evento é uma delas”, explica o músico Cândido Castro, responsável pelo projeto Tambor Falante e organizador do evento.

Considerado um dos grandes expoentes das artes visuais de Viamão, Newton é natural de Dom Pedrito (RS) e mora em Viamão desde 2002. Se consagrou no município após restaurar a escultura da paróquia Santa Isabel, tradicional igreja localizada na Avenida Liberdade. Segundo ele, um fato marcante, que determinou sua permanência na cidade. “Vim assistir a uma procissão e na ocasião, infelizmente, a imagem da santa caiu e se partiu em vários fragmentos na escadaria da paróquia, causando uma comoção geral. Imediatamente falei com padre Valdir (tradicional pároco da igreja, que oficiava a missa) e me prontifiquei a restaurar a santa”.

De acordo com Newton, foi necessário um mês e meio até o término do trabalho, realizado numa das salas da própria paróquia. “Simplesmente quando se passaram os quarenta e cinco dias eu já era viamonense”. 

“O meu temor é assistir as guitarras silenciosas e o calar das vozes que cantam”.

Ciente das dificuldades inerentes ao sistema de saúde do país, Newton reforça a importância da mobilização social como forma de pressionar o poder público pela melhoria dos serviços prestados. “Nós precisamos nos empenhar e, de uma forma realista, marchar na busca do sucesso que todos nós almejamos. Me sinto na pele de um operário, de uma pessoa inculta, que não tem nem verbo para protestar e buscar os seus direitos e simplesmente retorna para casa com a desesperança e a angústia de estar condenado a qualquer problema diante de uma enfermidade qualquer“.

Fotografia: Lany Lopes

O artista ainda reforça uma dura crítica, em especial a classe política, pela falta de atenção com a saúde pública brasileira. “Sabemos que a medicina moderna já apresenta resultados positivos no sentido da cura, então acho que é muito cruel que nós não tenhamos o mundo político empenhado nisso, que é algo que interessa a todos", afirma Newton.

O artista ainda faz um apelo para que as pessoas não se calem e compreendam a arte como um dos elementos estratégicos para a transformação social, cultural e política do país. "Nós precisamos nos conscientizar de que estamos reclamando os direitos que nos assistem enquanto cidadãos. Isto faz parte da arte também. A nossa visão de mundo é completamente diferente do que nós temos por aí. Tanto que nossos protestos pela música, pelas artes plásticas em geral, sempre é um protesto contra o momento social e político que vivemos. O meu temor é assistir as guitarras silenciosas e o calar das vozes que cantam”.

Outras ações devem ser organizadas para arrecadar fundos para o tratamento de saúde do artista, acometido por uma retinopatia diabética. A doença é uma das principais causas de cegueira em adultos. Diante do desafio, Newton ressalta a notícia de que sua família agenda para esta semana “um primeiro momento em busca da interrupção deste processo de cegueira”.

O almoço beneficente contou com a participação de diversas entidades, entre elas do Grupo Viandantes, representado pela atriz e professora Niltamara Gomes, que apresentou o evento ao lado da artista Dayse Reis, do Coletivo Toque de Comadre e do Tambor Falante, responsável pela produção do evento, além de diversos artistas independentes que se solidarizam com a causa.

A atividade teve ainda uma série de apresentações artísticas, roda de dança e uma feira organizada exclusivamente por artesãs e artesãos locais. Também estiveram presentes no evento o ex-prefeito Ridi e o ex-vereador Guto Lopes.

O evento compõe uma série de iniciativas que tem como intuito arrecadar o valor de R$ 30 mil necessários para o tratamento do artista. Caso tenha interesse em contribuir, entre em contato com o músico Cândido Castro pelo whatsapp 51.9981-4242 e saiba como participar.

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